Campanha da Fraternidade 2016

Quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 às 7h 50  - Atualizado às 18h 39

Irmãos e irmãs, eleitos de Deus e amados da Virgem Maria,


“Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação”, assim cantamos para proclamar o tempo quaresmal. É tempo de recordar o que devemos estar construindo todo o tempo: a conversão pessoal e a conversão das estruturas. É tempo de recordar o desejo profundo de nossa alma: a salvação, ou seja, o desejo de ver Deus e de N’Ele encontrar saúde e plenitude.


Quaresma também é ocasião de Campanha da Fraternidade! Neste ano, realizaremos a quarta Campanha em perspectiva ecumênica (2000, 2005, 2010 e 2016). O tema deste ano é: “Casa comum, nossa responsabilidade”. A motivação bíblica posta como lema é um versículo do Profeta Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).


Assim, voltamo-nos para os cuidados com nosso planeta, casa comum, que vamos detonando aos poucos para produzir bens, lucros, progressos, novos espaços, vamos usando de modo predatório e destruidor, vamos utilizando como se fosse um recurso ilimitado e sempre renovável... Posturas assim, de grandes empresas e de grandes interventores, mas também de pequenos grupos e famílias que depredam seu pequeno espaço de vida, é que vão colocando em xeque a vida do planeta e as gerações futuras.


Nesta Campanha da Fraternidade, queremos pensar questões, problemas e soluções para o desafio do saneamento básico, a qualidade de vida, as políticas públicas do cuidado da fauna, da flora, das águas, do ar, dos seres vivos, o uso dos recursos naturais, a insustentabilidade de nosso modo de agir sobre as riquezas naturais, os graves acidentes ecológicos deste tempo (em novembro passado, a tragédia das barragens da Samarco, em Mariana, deixou estragos para algumas dezenas de anos!), os riscos que corremos de novos e “sinalizados” acidentes de grande porte... “O abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle de meios transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas” (Texto-base, p. 10). Por isso, “há que se ter em mente que ‘justiça ambiental’ é parte integrante da ‘justiça social’” (idem).


Acho que temos, portanto, muitos motivos para rezar, para nos converter, para conversar, para assumir um novo olhar e um novo modo de agir sobre a natureza e o mundo. Deus, o grande e primeiro Criador, deixou-nos todo o criado para que fôssemos guardiães e cuidadores do grande e belo jardim, que Ele fez, e fez como “muito bom”. A forma de vida superior, a vida humana, que espelha e reproduz de algum modo o ser do Criador, deve zelar e manter as demais formas de vida, que sustentam e configuram o meio ambiente, que acolhe e favorece a vida humana no planeta. Não existirá vida humana sem as outras formas de vida. Destruir estas é programar a destruição daquela. Vamos aprender e mudar.


Desejo a todos uma abençoada travessia quaresmal, com apelos e práticas de conversão e de santidade, neste bendito ano da misericórdia! Vamos às Portas Santas para plenificar os reparos de nossos pecados! Vamos ao Calvário, depois de termos ido a Belém, para contemplar um amor que dá a vida e salva! Vamos ao futuro, onde queremos encontrar uma “casa comum”, cuidada com zelo hoje e capaz de assegurar vida para todos amanhã.


Que a Páscoa seja bendita e benditos sejam os que ressuscitarem agora com o Senhor para um novo jeito de estar no mundo!

 

Dom José Carlos de Souza Campos.
Bispo Diocesano de Divinópolis.

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