Aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de julho de 2009, no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG, Campus Coração Eucarístico, o V Congresso Regional da Pastoral Familiar Leste II com o Tema: A FAMÍLIA E A DEFESA DA VIDA e como Lema: “DEFENDER A VIDA É DEFENDER A FAMÍLIA”.
O Congresso que teve a participação de vários padres contou ainda, com as presenças do Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, o Presidente do Regional Leste II da CNBB (Minas Gerais e Espírito Santo), Dom Severino Clasen, o Presidente da Comissão Laicato, Vida e Família do Regional e Bispo Referencial da Pastoral Familiar Regional Leste II, Dom Mário, o Bispo da Arquidiocese de Vitória - ES e com o bispo da Diocese de Divinópolis, Dom Tarcísio Nascentes dos Santos.
Participaram do congresso, representantes de quase todas 32 dioceses pertencentes ao Regional Leste II.
Na sexta feira dia 24, primeiro dia do congresso, Dom Walmor proferiu uma palestra que abordou o tema: “A família e a defesa da vida”, e disse:
“A defesa da vida é a grande luta que se trava nesse momento contemporâneo. Esse momento não é de paz, mas de luta: abortos, eutanásia, pena de morte... a luta em defesa da vida. O hedonismo e o individualismo formam uma crosta na mente humana. É fácil constatar quando se acostuma com o prazer efêmero e se preocupa com a dignidade da pessoa humana.
Vale o que me dá prazer e poder. Com isso se torna difícil viver com ética e moral a vida. È de grande importância que fiquemos de olhos nos representantes do povo, para que não haja cultura de morte. Vale lembrar o Congresso Nacional de 2008 e a Campanha da Fraternidade, sobre a defesa da vida. É clara a luta sobre o aborto, a eutanásia, o consumismo, para colocar a vida no centro.
Enquanto me agradar fica bem... caso contrario... A defesa da vida é uma luta para substituir a cultura de morte.
A família tem que ser sociedade primordial da vida. Temos que combater a vida como escolha e sim, tê-la como um dom. O mais grave é não ter compreensão da vida. A questão da vida não é vivê-la, mas sim, contextualizar sua vida no lugar. A família tem que ser santuário da vida e escola do amor, para que não sejam poucos que possam guardar a imagem de seus pais como honestos, trabalhadores e exemplares”.
No sábado, dia 25, segundo dia do congresso, após a leitura Orante da Bíblia, às 9h, Dom Severino palestrou sobre o tema: Espiritualidade Conjugal e Familiar e fez a seguinte reflexão:
“A religião serve para muitos como alimentos para suas vidas. Contudo, a oração é a alma e a respiração de toda religião.
Em todo o momento, em todos os recantos do mundo, partem súplicas, lamentos, ações de graças e louvações ao coração de Deus, Pois a oração é isso. Muitas vezes acompanhada de gestos, de mãos que se erguem, de joelhos que se dobram, de corpos que se prostram no chão. Quase sempre é falada ou cantada. Mas, não raro, é silenciosa e recolhida no fundo do coração.
A maneira que cada um fomenta o seu jeito de orar, cria a sua espiritualidade própria. Mexe com a alma, com o espírito. Nasce ai a espiritualidade. E objeto comum de uma, de duas, ou mais pessoas fomentar a alma, o espírito, o sopro existencial.
A espiritualidade libertadora na vida conjugal fomenta o respeito, o acolhimento, a sensibilidade, a fidelidade, o perdão, o diálogo, a oração, a meditação, a contemplação, a partilha, a reflexão sobre a Palavra de Deus, a comunhão de vida totalmente tomada pelo amor ardente e incondicional Pois os nomes de quem vive a alegria do Evangelho em família já tem o seu “nome escrito no céu”. (Lc 10,20).
Após a palestra de Dom Severino aconteceu às oficinas, com os seguintes temas:
1 - Método de Ovulação Billings;
2 - Encontro de Noivos por acolhida;
3 - Segundas-Uniões;
4 - Encontro para Namorados Firmes;
5 - Centro de Orientação Familiar;
6 - Os direitos do nascituro;
7 - Mulheres mineiras em ação;
8 - Projeto Família Jovem;
9 - Catequese em Família;
10 - Ai.Bi. – Associação Amigos das Crianças – ONG Humanitária para incentivo à adoção.
Na parte da tarde, às 14h, Padre Otávio Juliano de Almeida (Teólogo, Mestre em Teologia Moral / Secretário do Conselho Pró-Vida da Arquidiocese de BH) proferiu a palestra que teve o tema: O Discurso Cristão Católico sobre a Bioética. De maneira clara e fundamentada, Pe. Otávio afirma:
“O modelo antropológico que subjaz a bioética personalista católica é o objetivo central desta palestra. Abordar com coragem uma visão de homem que não admite nenhum tipo de manipulação, utilitarismo e subserviência. A Bioética católica introduz um humanismo pleno, radicado na visão de que o homem é criatura de Deus e, portanto, soberana”.
Às 15h30, o professor e psicanalista José Tarcisio Amorim, coordenador do Núcleo de Bioética e assessor especial da Reitorial da PUC/MG destacou em sua palestra, com o tema: Reflexões antropológicas sobre o cuidado para com a Vida, o seguinte ponto:
“foi uma reflexão de base antropológica sobre o fenômeno da evolução da vida, desde o momento instintivo até a emergência do ser humano sobre a terra e a importância da família para o amadurecimento da pessoa no seio da cultura.”
No domingo dia 26, último dia do congresso as atividades iniciaram com a Santa Missa, em seguida, às 9h a Dra. Silma Mendes Berti - Jurista, doutora em Direito, professora da UFMG e membro do Conselho Pró Vida da Arquidiocese de BH palestrou sobre o tema: Os direitos do Nascituro, e destacou o seguinte ponto:
“Falar de direitos do nascituro não é simples. Aqueles que se aventuram a fazê-lo correm o risco de deixar de lado relevantes aspectos, concernentes aos direitos e deveres que ai se põem em conflito. Encontrando-se no útero materno, o foetus não teria, em principio, nenhuma proteção jurídica, já que os direitos e privilégios de que lhe fosse possível gozar são subordinados ao seu nascimento com vida. Todavia, desde a concepção até o nascimento, o ser humano, apesar de sua visível fragilidade, é centro autônomo de direitos. Portanto, negar-lhe a tutela da vida ou de outros direitos, seria não apenas contrariar os valores éticos e morais, como também contrariar a própria ordem jurídica. Mas não basta reconhecer-lhe os direitos. E preciso assumir a responsabilidade de protegê-lo, pois em cada nascituro está o futuro da humanidade.”
Em seguida, houve outra palestra com o tema: “O Rio e o mar – O sentido da vida e da morte”, proferida por Dr. Evaldo, médico e tanatólogo que destacou:
“Vida e morte são duas faces de uma mesma moeda que é a existência. Quando fomos gerados no ventre materno, começamos a viver e a morrer. Nosso corpo, que se foi formando naquele momento, ao longo da vida intra-uterina e principalmente depois do nascimento, vai perdendo células enquanto outras vão sendo formadas para substituir as que morreram.
Quando cessar esta capacidade de auto regeneração, seja por velhice, doença ou trauma, ocorre o que chamamos de morte. Contudo a nossa individualidade permanece viva, pois assume a sua imortalidade na eternidade de Deus. Temos então uma vida, temos uma morte. Será que elas têm sentido?
A resposta é afirmativa para ambas. A vida, dom precioso que recebemos de Deus, tem como sentido o “ser feliz”. Para isso Deus nos criou. Contudo, por fazermos parte do Universo, do espaço-tempo, nunca logramos o “ser” feliz, mas podemos, sim, ter muitos e prolongados momentos de felicidade, permitindo-nos então o sentido de “estar” feliz.
Portanto, o sentido da morte, além dela ser uma ótima professora de vida, por nos ensinar a beleza, a fragilidade e a transitoriedade da vida, por nos ensinar o desapego, ela tem também o sentido da nossa transformação para a vida eterna, a verdadeira vida, Como diz Sto.Ambrósio, Padre da Igreja: “Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a como remédio”. “Não devemos chorar a morte, que é a causa da salvação universal”.
A última palestra do congresso foi proferida pelo Dr. Nicodemus de Arimathea e Silva Júnior (Médico, Cirurgião Plástico, Especialista em Saúde Pública), com o tema: Diante da Perspectiva da Morte.
Dr. Nicodemus, destacou o seu trabalho em um hospital de emergência, onde muitos chegam feridos, com traumas, queimados e como eles lidam com a proximidade da morte.
Depois da palestra de Dr. Nicodemus, foi feita uma encenação teatral do trecho bíblico do Filho Pródigo e o encerramento oficial com a despedida de todos e a escolha da diocese sede para o VI Congresso Regional do Leste II.
Com a desistência da Diocese de Mariana e de Juiz de Fora, ficou entre Vitória-ES e Divinópolis-MG, a escolhida para sediar o VI Congresso em 2012 foi à diocese de Divinópolis.
Ao final do Congresso, Dom Tarcisio destacou a importância da família e do trabalho em prol das famílias e que todos os congressistas encontrariam o povo da diocese Divinópolis com os corações escancarados para receber todos os visitantes das dioceses de Minas Gerais e do Espírito Santo. Lembrou ainda, que no ano do Congresso nossa Cidade estará completando 100 anos de emancipação.
