
Vivendo a Acolhida.
À guisa de Introdução
Depois de muito pensar e rezar, resolvi passar para frente estes meus pequenos artigos, tentando uma ajuda a tantos com os quais trabalho e a tantos outros que porventura tiverem acesso a este material.
Estes artigos foram escritos para o Jornal “Folha da Diocese”, quando começamos o trabalho da Pastoral da Acolhida na Diocese de Divinópolis.
Trabalhando há 45 anos com meu irmão, D. José Belvino do Nascimento; 20 anos como Secretária Paroquial e há 25 anos como secretária particular dele pelas Dioceses por onde andamos, vivi e vivo uma experiência única em se tratando do Acolhimento.
A variedade do público-alvo de minha vida é muito grande e, por isso mesmo, sempre me exigiu uma postura especial, tanto no trato com os que me procuravam na Casa Paroquial, na Casa do Bispo, nas Escolas onde atuei como Educadora, nos Encontros e Cursos Pastorais, na vida dia-a-dia das casas, quanto no trato com funcionários e hóspedes, todos especiais...
Para pessoas especiais, tratamento especial, acolhimento específico e especial também!...
Como me disse certa vez um diretor meu: a minha experiência eu não poderei passar para ninguém, é pessoal, como será pessoal a de cada um. Mas posso passar dicas e técnicas. E são tantas!...
Aqui está, e atua, não somente a Maria das Mercês, ou a irmã do padre, ou a irmã do bispo, mas uma Agente Pastoral que, pelas suas funções e atuação, precisa, quer e tenta ser testemunha fiel de sua consagração batismal, razão de toda sua vida, entregue ao serviço do Reino de maneira incondicional.
Aquele que trabalha na Igreja seja onde for, no Altar, na Sacristia, na Secretaria, ou como doméstica da Casa Paroquial, ou mesmo varrendo e zelando pelo templo, não é um simples funcionário de uma empresa, mas é um Agente Pastoral, responsável por fazer valer o mandamento de Cristo:
“Amai-vos como eu vos amei!”
Claro que sofri muito e continuo enfrentando situações que nem se traduzem em palavras. Todos que abraçam a causa de Cristo estão sujeitos a isto. São as exigências próprias da missão. O bonito e o bom é que - descobri isto muito cedo - recebemos de Deus graças especiais, a graça de estado, para viver a nossa vida, seja ela qual for. E sempre lembrar, seja como for a minha vida, se estou amando o outro como Jesus me amou.
Eu sou feliz, muito feliz e, sei, conscientemente, sem demagogia nem falsa modéstia, faço felizes a muitos. Para isso empenhei a minha vida!...
Que estes pequenos textos que, sem pretensão, coloco em suas mãos, sirvam para ajuda no trabalho do crescimento pessoal, no Acolhimento paroquial, ou outro trabalho que faz, em sua casa, em sua vida de lazer, e para trazer-lhe um pouco mais de alegria e felicidade, acolhendo e sendo acolhido. “É dando que se recebe.”
Das muitas dificuldades, uma foi difícil entender e assimilar, foi a de que há pessoas que não conseguimos acolher bem, pois encontramos resistência da sua parte e ficamos sem saber como agir. Hoje, sou mais tranqüila quanto a isto, pois a verdade veio clara para mim:
O acolhimento só se dá quando o outro quer ser acolhido.
Se a alguns faço sofrer, e sei que os há, não foi de propósito, por vontade própria, mas pelas limitações e, quem sabe, porque o outro não quis ser acolhido, ou não descobri ainda a maneira de acolhê-lo. Continuo trabalhando para que isto aconteça.
Outro ponto forte me foi colocado na reflexão evangélica: nem Jesus conseguiu acolher e ser acolhido por todos. Não podemos fazer milagres, mas colocarmo-nos ao lado de todos. Se um não precisa de mim, há milhares famintos de uma palavra amiga de solidariedade, de consolo, carentes de um abraço, de um sorriso, de um aperto de mão, de um ombro amigo, neste “vale de lágrimas”...
Sei que não são meus artigos, lidos e refletidos, que farão você mais acolhedor. Mas eles podem levá-lo a uma tomada de posição, pois o Acolhimento é uma atitude pessoal.
Só uma coisa posso lhe afirmar: Ser acolhedor faz a diferença!...
Maria das Mercês Costa