1. SAUDAÇÕES.
Saúdo, inicialmente, o senhor Núncio Apostólico no Brasil, Dom LORENZO BALDISSERI, reafirmando o propósito de total comunhão com o sucessor de Pedro, Bento XVI, e irrestrita obediência a ele.
Saúdo Dom Frei Alano Maria Pena O.P., Arcebispo de Niterói, expressando uma vez mais minha profunda gratidão à querida Arquidiocese de Niterói, pois a ela devo o ser cristão, o ser padre e o ser Bispo, tendo ali sido sagrado aos 18 de abril.
Saúdo, igualmente, todos os demais Bispos da Província Eclesiástica de Niterói e do Regional Leste 1 de onde venho.
Saúdo D. Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, Metropolita desta Província Eclesiástica e Presidente do Regional Leste 2. Saúdo, igualmente, todos os irmãos Bispos das Dioceses que compõem a Província de Belo Horizonte e os demais irmãos, Arcebispos e Bispos, do Regional Leste 2. Entre vocês agora me encontro como um “irmão caçula”, não na idade, mas no episcopado.
Saúdo todos os demais Bispos aqui presentes ou representados.
Saúdo os irmãos Bispos, alguns já eméritos, que são filhos desta Diocese de Divinópolis.
Saúdo, enfim, o querido D. José Belvino do Nascimento, bom e zeloso Pastor desta Igreja Particular de Divinópolis. Agradeço ao senhor, Dom José Belvino, a acolhida amiga, sábia, fraterna e paternal que me dispensou desde a publicação de minha nomeação, no dia 11 de fevereiro. Através do senhor, Dom Belvino, recebo esta herança preciosa que é a Diocese de Divinópolis, assumindo-a hoje como seu 4º Bispo. Suplico, então, ao Senhor Deus, a graça de ser – eu também, não obstante minhas inúmeras limitações – fiel, bom e zeloso Pastor desta Grei, prosseguindo, assim, num processo de continuidade dinâmica, o governo pastoral dos que me antecederam, ao longo destes 50 anos: Dom Cristiano Frederico Portela de Araújo Pena, Dom José Costa Campos e, nestes últimos 20 anos, D. José Belvino do Nascimento.
Saúdo as autoridades civis, militares e outras, aqui presentes ou representadas.
Saúdo a tantos que vieram de Niterói: os queridos irmãos presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, seminaristas, leigos e leigas, as caravanas paroquiais [menciono particularmente a de N. Sra. de Fátima, onde encontrava-me como Pároco nestes últimos anos], os casais das ENS das quais era conselheiro e tantos parentes e amigos. Sejam todos sempre muito bem vindos.
Saúdo todos os meios de comunicação que, com a sua presença, asseguram, para tantos lares, em diversos cantos e recantos, a transmissão deste evento.
Saúdo, enfim, esta amada Diocese de Divinópolis, este amado presbitério, este amado Povo de Deus, esta boa e acolhedora gente mineira. Amada Diocese, amado presbitério, amado Povo de Deus! Assim expressei-me na Mensagem que lhes enviei, logo após a nomeação. E o fiz porque aí está o apelo que o Senhor me faz ao colocar-me no seio desta Igreja, no coração deste Presbitério, a serviço deste povo! Conhecer, amar e servir, com caridade pastoral, configurado a Jesus Bom Pastor.
2. CONHECER, AMAR E SERVIR, COM CARIDADE PASTOAL, CONFIGURADO A CRISTO BOM PASTOR.
Conhecer para amar e servir é, sem dúvida, empenho precípuo do Bispo. Mas o é, igualmente, de todo cristão; de cada um de nós, irmãos e irmãs, chamados a ser discípulos-missionários de Jesus Cristo.
“O amor vem de Deus ... Deus é amor” (1Jo 4,7-8). Estas palavras da 1 Carta de João, proclamadas na segunda leitura, e estas outras, alguns versículos adiante, “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4,16) sintetizam a mensagem da Liturgia de hoje e, como recorda o Papa Bento XVI no início de sua Carta programática “Deus Caritas est”, “exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a conseqüente imagem do homem e do seu caminho”. Além disso, prossegue o Papa, “no mesmo versículo, João oferece-nos, por assim dizer, uma fórmula sintética da existência cristã: ‘Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem’(1Jo 4,16)”(DCE 1).
“O amor vem de Deus... Deus é amor”. Deus Caritas est.
- É amor o Pai, que “enviou seu Filho Unigênito ao mundo para que tivéssemos a vida por meio dele” (1Jo 4,9)
- É amor o Filho, que deu a vida não só “pelos amigos” (Jo 15,13), mas também pelos inimigos.
- É amor o Espírito Santo, que “não fez distinção de pessoas” (At 10,34) e está “impaciente” para descer sobre todos os homens.
“Deus é amor” – Deus Caritas est – e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”
O amor de Deus nos alcança através de Cristo. “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei” (Jo 15,9). É Jesus – Redentor do homem, Redentor do mundo – quem derrama em nós o amor do Pai, amando-nos com o mesmo amor com que o Pai o ama; e quer que neste amor vivamos: “permanecei no meu amor” (Jo 15,9). E assim como Jesus permanece no amor do Pai, cumprindo sua vontade – “O meu alimento é fazer a vontade do Pai que me enviou” –, assim também devemos permanecer no seu amor, observando seus mandamentos, especialmente aquele que Ele chama “seu mandamento”: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Jesus ama os discípulos como é amado pelo Pai, e devemos nós – seus discípulos – amarmo-nos como somos amados pelo Mestre (Cf. Intimidade Divina, 398).
Sem dúvida, impressiona e comove a insistência com que, no Sermão da Ceia, Jesus nos recomenda a nós, seus discípulos, o amor mútuo! Quer que sejamos comunidade compacta, cimentada pelo seu amor, onde todos se sintam irmãos e vivam uns pelos outros. O que não significa, porém, limitar o amor ao círculo dos fiéis. Quanto mais fundidos no amor de Cristo, tanto mais capazes seremos de levar este amor a todos os homens (cf. Ibid., 399).
A caridade, com efeito, como nos recordou João Paulo II na NMI (49-50), abre-se ao serviço universal, frutificando no compromisso de um amor ativo e concreto a cada ser humano. A verdadeira contemplação de Cristo implica saber vê-lo, sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo se quis identificar: “Porque tive fome e me deste de comer, tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; estava nu e me destes de vestir; adoeci e me visitastes; estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25, 35-36). Nesta página evangélica – de “ortopraxis” – a Igreja mede a sua fidelidade de Esposa de Cristo. Se ninguém pode ser excluído do nosso amor; há, todavia, na pessoa dos pobres, uma especial presença de Cristo, obrigando a Igreja a uma opção preferencial por eles (cf. NMI 49-50).
É assim que nos tornamos, queridos irmãos e irmãs, amigos de Jesus: “Sereis meus amigos se fizerdes o que eu vos ordeno”.
E a amizade – somos seus amigos, fazendo o que Ele nos ordena! – exige reciprocidade de amor.
Amor com amor se paga! Retribuímos o amor de Cristo amando-o com todo o coração e amando os irmãos com os quais Ele quis identificar-se, considerando feito a si o que fizermos ao menor deles (Mt 25,40).
E, como nos recorda Bento XVI – “dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4,10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro” (DCE 1).
Fomos constituídos discípulos-missionários para produzirmos fruto – fruto de amor – e que o nosso fruto permaneça.
“Num mundo em que ao nome de Deus se associa às vezes a vingança ou mesmo o dever do ódio e da violência”, urge, caríssimos irmãos e irmãs, “suscitar um renovado dinamismo de empenhamento na resposta humana ao amor divino” (cf. DCE 1).
Mas como poderemos ser mensageiros de amor no mundo se não nos amarmos entre nós? É pela conduta que somos chamados a provar que Deus é amor e que, aderindo a ele, aprendemos a amar, transformamo-nos em amor, pois o Evangelho é amor e Cristo ensinou os homens a se amarem.
O amor, em Cristo, supera as divergências, anula as distâncias, elimina o egoísmo, as rivalidades, as discórdias; sendo parte essencial daquela fecundidade apostólica que Jesus espera dos seus discípulos: “Eu vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). Só quem vive no amor pode levar ao mundo o fruto precioso do amor (cf. Intimidade Divina, 398).
3. PROSSEGUIR O GOVERNO PASTORAL, NUM PROCESSO DE CONTINUIDADE DINÂMICA.
► O Vaticano II: marco de continuidade dinâmica
A Igreja de Divinópolis nasceu e cresceu sob o signo do Concílio Vaticano II e de sua aplicação.
Há exatamente 50 anos atrás, no dia 17 de maio de 1959, Festa de Pentecostes, o Pe. Cristiano Portela de Araújo Pena era sagrado Bispo e tomava posse da nova Diocese. Meses antes, no dia 25 de janeiro daquele mesmo ano, o Beato João XXIII, na Basílica de São Paulo fora dos muros, anunciava o seu desejo de convocar um Concílio.
D. Cristiano, que teve a graça de participar do Concílio Vaticano II, não poupou esforços no empenho de aplicá-lo, inclusive com iniciativas pioneiras. O trabalho prosseguiu com Dom José Costa Campos – de 1979 a 1989 – e, a partir de 1989, com Dom José Belvino do Nascimento que, entre os muitos méritos, destaco: o grande apoio ao laicato, o grande incentivo à Pastoral Vocacional, o forte empenho na formação dos novos presbíteros (até maio de 2008 ordenou 53 novos presbíteros), a criação do Tribunal Eclesiástico, da Cúria Diocesana, do Seminário Diocesano São José em Divinópolis, a criação dos Conselhos Diocesanos de Pastoral e de Formação, a atenção aos meios de Comunicação Social: a compra das Rádios, o jornal da Diocese, a página na Internet. Destaco, ainda, a assunção do desafio da pastoral urbana, lendo os sinais dos tempos e percebendo, assim, o deslocamento do foco rural para o urbano.
Ora, a continuidade dinâmica pede que caminhemos à luz do Concílio Vaticano II. Este, como nos recordava João Paulo II na NMI, precisa ser conhecido, assimilado e vivenciado. Ele é a grande graça de que se beneficiou a Igreja no século XX e bússola segura para orientar-nos no novo século.
► A fidelidade ao Vaticano II, porém, nos convida a acolher o apelo do Mestre: ir a águas mais profundas, “fazer-se ao largo” para a pesca: “Duc in altum” (Lc 5,4).
As palavras de Jesus “Duc in altum” – recordava-nos João Paulo II na NMI – ressoam no nosso coração e nos nossos ouvidos, convidando-nos: a lembrar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente, a abrir-nos com confiança para o futuro. “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8).
Aos Bispos, João Paulo II, na Pastoris Gregis, repete o convite dirigido a toda a Igreja: Duc in altum! À luz deste insistente convite do Senhor, ele relê o tríplice múnus confiado aos Bispos: Duc in docendo! Duc in sanctificando! Duc in regendo!
Duc in docendo! ‘Prega a palavra – diremos com o Apóstolo –, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, censura e exorta com bondade e doutrina’ (2 Tm 4,2).
Duc in sanctificando! As redes, que somos chamados a lançar no meio dos homens, são antes de mais nada os sacramentos de que somos os principais dispensadores, reguladores, guardas e promotores; formam uma espécie de rede salvífica, que liberta do mal e conduz à plenitude da vida.
Duc in regendo! Como pastores e verdadeiros pais, ajudados pelos sacerdotes e demais colaboradores, temos o dever de congregar a família dos fiéis e nela fomentar a caridade e a comunhão fraterna. Embora seja uma missão árdua e extenuante, ninguém perca a coragem. Com Pedro e os primeiros discípulos, também nós renovamos confiantes a nossa sincera profissão de fé: Senhor, ‘à tua palavra lançarei as redes!’ (Lc 5,5). À tua palavra, ó Cristo, queremos servir o teu Evangelho para a esperança do mundo!” (JP II, Homilia de abertura da X Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (30 de setembro de 2001), 6: AAS 94 (2002), 111-112).
►A fidelidade ao Vaticano II pede-nos, então, o serviço do Evangelho para a esperança do mundo.
œ Uma esperança fundada em Cristo [cf. Pastores Gregis 3]
A tarefa de cada Bispo: anunciar ao mundo a esperança, partindo da pregação do Evangelho de Jesus Cristo. A perspectiva da esperança teologal, com as da fé e da caridade, deve modelar inteiramente o ministério pastoral do Bispo. Cabe-lhe ser profeta, testemunha e servo da esperança, sem a qual a fé é posta em questão e o amor enfraquece.
Somente com a luz e a consolação que provêm do Evangelho é que um Bispo consegue manter viva a própria esperança e alimentá-la nos que lhe estão confiados.
œ A esperança, na falência das esperanças [cf. Pastores Gregis 4]
Na mente dos padres sinodais, por ocasião do Sínodo dos Bispos, estava ainda vivo o eco do terrível e doloroso 11 de setembro de 2001, mostrando a urgente necessidade de implorar ao Príncipe da Paz para que os homens voltassem a estar abertos à reconciliação, à solidariedade e à paz. A assembléia sinodal ergueu a sua voz para condenar toda a forma de violência e indicar as suas raízes últimas no pecado do homem.
O Bispo, portanto, é chamado a ser testemunha crível e profeta corajoso da esperança divina que não desilude, a fim de que, diante da falência das ideologias humanas, permaneçam reavivadas a fé e a caridade e se construam estradas que levem à reconciliação e à salvação.
œ Servos do Evangelho para a esperança do mundo [cf. Pastores Gregis 5]
Vivendo como homens de esperança e refletindo no próprio ministério a eclesiologia de comunhão e missão, os Bispos serão verdadeiramente motivo de esperança para o seu rebanho. E o mundo necessita da esperança que é Cristo; da esperança que brota da Cruz, onde a vida venceu a morte
Nós sabemos que o mundo necessita da “esperança que não confunde” (Rm 5,5). Sabemos que esta esperança é Cristo. Sabemo-lo e por isso proclamamos a esperança que brota da Cruz.
Ave Crux spes unica! Esta saudação continue a ressoar nos nossos lábios, porque a Cruz é mistério de morte e de vida. A Cruz tornou-se para a Igreja “árvore da vida”. Por isso, anunciamos que a vida venceu a morte.
►A Fidelidade ao Vaticano II supõe um exame de consciência sobre a recepção do Concílio como solicitara às Igrejas, na TMA, o Papa João Paulo II.
▪ A Palavra de Deus
Em que medida a Palavra de Deus se tornou mais plenamente alma da teologia e inspiradora de toda a existência cristã, como pedia a Dei Verbum?
▪ A Liturgia
Vive-se a liturgia como “fonte e cume” da vida eclesial, segundo o ensinamento da Sacrosanctum Concilium?
▪ A Eclesiologia da Comunhão e Participação
Vai se consolidando na Igreja universal e nas Igrejas particulares a eclesiologia de comunhão da Lumen Gentium, dando espaço aos carismas, aos ministérios, às várias formas de participação do Povo de Deus, embora sem decair em um democratismo e sociologismo que não reflete a visão católica da Igreja e o autêntico espírito do Vaticano II?
▪ O diálogo como o mundo contemporâneo
As diretrizes conciliares – oferecidas na Gaudium et Spes e noutros documentos – de um diálogo aberto, respeitoso e cordial, acompanhado todavia por um atento discernimento e corajoso testemunho da verdade, permanecem válidas e chamam-nos a um empenho maior.
► A fidelidade ao Vaticano II supõe, enfim, entre nós, assumir a sua acolhida concretizada em Medellín, Puebla, Santo Domingo e, mais recentemente, com força inaudita, em Aparecida.
4. CONCLUINDO
Concluo com três indicações, retomando em parte algo que lhes escrevi na minha primeira Mensagem, ao confidenciar-lhes, então, que constantemente vinha à minha lembrança um sacerdote de Niterói, já falecido, que, ao encontrar os amigos padres, perguntava sempre: “está mais santo hoje?”, “já se casou com a Igreja?”. Como não divisar aí um programa de vida?
- Ser mais santo! João Paulo II, por ocasião da assinatura da Exortação Apostólica ‘Pastores Gregis’, no dia do XXV ano de Pontificado, assim se expressava a respeito do Bispo: “Ele é chamado a ser pai, mestre, amigo e irmão de cada homem, a exemplo de Cristo. Percorrendo fielmente este caminho, poderá alcançar a santidade, uma santidade que deverá crescer não paralelamente ao ministério, mas através do próprio ministério”.
Ser santo, porém, não é privilégio de alguns, mas um chamado feito a todos. Assim – recordava-nos João Paulo II na NMI – o horizonte de todo caminho pastoral é a santidade, sendo urgente redescobrir a “vocação universal à santidade”, que faz sobressair a dinâmica intrínseca e qualitativa da eclesiologia. O dom de santidade objetiva – oferecido a cada batizado – gera um dever, a santidade dinâmica, que há de moldar toda a existência cristã (cf. NMI 30).
- Configurado a Cristo Esposo! Partilhara, então, com vocês, queridos padres, uma citação – talvez um pouco longa! – da “Pastores dabo vobis”; mas desejo, ainda uma vez, partilhá-la, pois ela, penso, é preciosa para todos os sacerdotes e, a fortiori, para o Bispo:
“A Igreja, é efetivamente, o Corpo, no qual está presente e operante Jesus Cristo Cabeça, mas é também a Esposa, que surge como nova Eva do lado aberto do Redentor sobre a Cruz: por isso mesmo, Cristo está “diante” da Igreja, “alimenta-a e cuida dela” (Ef 5,29) com o dom da sua vida. O Sacerdote é chamado a ser imagem viva de Jesus Cristo, Esposo da Igreja: sem dúvida, ele permanece sempre parte da comunidade como crente, juntamente com todos os outros irmãos e irmãs convocados pelo Espírito, mas por força da sua incorporação a Cristo Cabeça e Pastor, encontra-se na referida posição de esposo perante a comunidade. “Enquanto representa a Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, o sacerdote coloca-se não só na Igreja, mas perante a Igreja”. Portanto, ele é chamado, na sua vida espiritual, a reviver o amor de Cristo Esposo em sua relação com a Igreja Esposa. A sua vida deve iluminar-se e orientar-se também por este tratamento nupcial que exige dele ser testemunha do amor nupcial de Cristo, ser, por conseguinte, capaz de amar a gente com um coração novo, grande e puro, com um autêntico esquecimento de si mesmo, com dedicação plena, continua e fiel, juntamente com uma espécie de “ciúme” divino (cf. 2 Cor 11,2), com uma ternura que reveste inclusivamente os matizes do afeto materno, capaz de assumir as “dores de parto” até que “Cristo seja formado” nos fiéis (Gl 4,19) (PDV 22).
- Dom, dádiva, é o Bispo e somos todos nós! Costuma-se tratar o Bispo de “Dom”: Dom José Belvino, Dom Tarcisio... Mas tornar-se Dom, fazendo o dom sincero de si mesmo, é tarefa de todos nós. Convido-os, portanto, para comigo, mergulharmos no insondável Mistério da Trindade, encontrando ali o modelo supremo da união dos filhos de Deus na verdade e na caridade. Ouçamos, então, o admirável terceiro parágrafo de GS 24:
“Quando o Senhor Jesus pede ao Pai “que todos sejam um..., como nós somos um” (Jo 17,21-22), sugere – abrindo perspectivas inacessíveis à razão humana – que há uma certa analogia entre a união das pessoas divinas entre si e a união dos filhos de Deus na verdade e na caridade. Esta semelhança torna manifesto que o homem, única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma, não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo” (GS 24
Que Nossa Senhora, sob os títulos de Auxiliadora e Imaculada Conceição, nos acompanhe e ampare com sua solicitude materna.
Assim seja!