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Ganhei o Dia

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Pastoral da Acolhida
 
“GANHEI O DIA!...”
                                  
            Maria das Mercês Costa
Equipe Diocesana
 
O acolhimento é tão simples, requer gestos tão puros e gratuitos!...
 
Fazia minha caminhada matinal, seguindo seriamente ordens médicas: primeiro nos amarmos para, depois, estarmos preparados para amar ao próximo. Assim diz o mandamento: Amar ao próximo como a si mesmo.”
 
Duas garis varriam a praça, metodicamente, como o fazem todos os dias. Admiro muito o trabalho delas e me lembro de uma velha amiga, que sempre falava para os garis uma frase de Dom Marcos Barbosa, beneditino: “Varredor que varres a rua, tu varres o Reino de Deus.”
 
Eu as observava, pensando no amor com que fazem esse trabalho, e presenciei uma cena digna de registro. Uma cena de puro acolhimento.
 
De repente, surge um senhor, um político conhecido meu, encaminhou-se para as duas senhoras, cumprimentou-as, abraçando-as carinhosamente. Depois, entrou no carro e seguiu para a sua vida.
 
Fui passando mais perto delas e ouvi o resultado daquela bela Acolhida:
 
- “Puxa! Ganhei o dia. Sinto até o perfume dele que ficou em meu braço!...” - exclamou uma delas.
 
E a outra sorriu, aquiescendo, como a dizer o mesmo.
 
Esta lição nos mostra que a Acolhida é muito fácil de ser feita, de ser entendida, e nós precisamos aprendê-la e executá-la muitas vezes em nossa vida, em nosso viver cotidiano. Para nós, para aquele senhor, um gesto tão simples, um momento tirado de seu labor diário, como o que presenciei, pode ser rotina. Mas para muitas pessoas é tão importante que elas “ganham o dia”.
 
Se levássemos a sério esse negócio de ACOLHER, voltaríamos no tempo e mudaríamos nossas atitudes em gestos e palavras.
 
Bom dia, muito obrigado, com licença, faça-me o favor, desculpe-me, perdão, são expressões muito conhecidas da gente, mas que foram abolidas do vocabulário moderno. Abraçar as pessoas, dar-lhes carícias, nem pensar. É um perigo!...
 
Precisamos restaurar tudo isso, reassumir as carícias nas palavras e atitudes, resgatando a dignidade das pessoas que são todas importantes, independente do grau de instrução, de poder aquisitivo ou da posição que ocupam. A diferença só existe em nossas cabeças ou em nossas atitudes. O Criador nos fez a todos iguais, com os mesmos direitos e deveres, prerrogativas e obrigações, qualidades e defeitos. Valor igual tem o Varredor de rua e o Artista; o Aluno e o Mestre; o Vereador e o Presidente da República; O Coroinha e o Papa...
 
E cada um merece o nosso Bom dia caloroso, sorridente, feliz, para que possa dizer, como aquela senhora:
 
“GANHEI O DIA!...”
 
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