Comentário ao Evangelho do Domingo de Pentecostes (Jo 20,19-23) - 20/05/18

Quinta-feira, 17 de maio de 2018 às 0h 00  - Atualizado às 18h 41

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

Esta passagem pode ser dividida em três partes distintas: 1) Jesus aparece; 2) Os discípulos O reconhecem e mudam de atitude; 3) Uma missão é confiada aos discípulos.
Embora Jesus seja o mesmo, inclusive, trazendo as marcas da crucificação, Sua condição agora é diferente. Não existem mais limites para Sua presença. Ele foi capaz de entrar em um lugar onde as portas estavam fechadas.


Aconteceu uma transformação na vida dos discípulos. Se antes eles estavam amedrontados e escondidos por trás de portas trancadas, com a chegada de Jesus, sentiram alegria. A presença do Mestre e a consciência de que Ele não morreu e não foi vencido, mas venceu e ressuscitou, deu coragem e renovou a esperança.


Paz e alegria são dons experimentados por quem acolhe a fé no Cristo ressuscitado. Mas também são condições para se poder reconhecê-Lo. Somente é capaz de sentir a paz e a alegria de Jesus quem supera os apegos deste mundo, tornando-se, assim, livre para amar Deus.


Jesus, concedendo a força do Espírito Santo, enviou os discípulos à missão. A missão dos discípulos é a continuação da que foi iniciada por Ele. Assim como Jesus viveu Sua missão, não em nome de Si mesmo, mas no nome d’Aquele que O enviou, os discípulos também são chamados a cumprir a missão em nome de Quem os enviou, o próprio Jesus.


Este episódio pode ser entendido como cumprimento do que havia sido dito em Jo 14,12: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e até maiores”. Seguir Jesus é continuar Sua missão e, com a força do Espírito Santo, fazer a obra de Deus continuar acontecendo.


O fato de Jesus soprar sobre os discípulos faz lembrar o sopro de Deus quando estava criando Adão. É uma nova criação, uma renovação, nova vida. O Espírito Santo recria o homem, arrancando-o do pecado.


Os discípulos experimentaram esse encontro com Jesus no primeiro dia da semana, isto é, no domingo. Para o povo judeu o dia que deveria ser dedicado ao Senhor era o sábado, lembrando o descanso de Deus no sétimo dia da criação. Com Jesus, inicia-se um tempo novo na fé. E o primeiro dia da semana é sinal desse recomeço, de uma nova era religiosa.


Outra característica significativa é que Jesus apareceu para os discípulos enquanto eles estavam reunidos. Isso indica que a fé no Cristo ressuscitado deve ser vivida comunitariamente. Não é possível acreditar ou se relacionar com Deus isoladamente. Ninguém O alcança estando sozinho.


Também foi dado aos discípulos o mandado de perdoar pecados. A Igreja enxerga nesta passagem o fundamento para o sacramento da Confissão. Com Jesus ressuscitado, abriu-se nova possibilidade para que as pessoas possam se reconciliar com Deus de forma sacramental, isto é, contando com a presença viva e real d’Aquele que concede o perdão, apaga a culpa e dá as forças para viver de forma totalmente nova: percorrendo o caminho da santidade.

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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