Comentário ao Evangelho do 32o Domingo do Tempo Comum (Mt 25,1-13)-12/11/17

Sábado, 11 de novembro de 2017 às 14h 38

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1”O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide a seu encontro!’ 7Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. 10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ 12Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 


Comentário do Padre Guilherme

 

Nesta parábola, que aparece somente no Evangelho de Mateus, Jesus ensina aos discípulos sobre a necessidade de estarem preparados para o final dos tempos. Sobre a demora da vinda deste evento e sobre a espera por ele. E convida a pensar sobre como se deve agir enquanto se espera. Algumas pessoas são prudentes, mas outras podem ser descuidadas, como as jovens na parábola.


Vivemos nessa espera pela vinda final do Senhor, quando se dará nosso encontro definitivo com Deus. Não se sabe quando se dará esse encontro, mas isso não é motivo para não se preparar. Se o jeito de viver de alguém não for conforme o que Deu espera, há o risco de não ter lugar na glória do céu.


Assim como na parábola as jovens não tinham como saber quando o noivo chegaria, também não temos condições de saber exatamente quando será o fim.


Já no início do cristianismo, havia o entendimento de que essa parábola referia-se à segunda vinda de Jesus. Os primeiros cristãos acreditavam que Jesus iria retornar muito em breve, pra estabelecer o Reino definitivo de Deus. Com o passar dos tempos, foram compreendendo que esse retorno não seria assim tão imediatamente.


Das dez jovens, cinco se preocuparam com o óleo pra manter acesas suas lanternas enquanto as outras não. Todas dormiram. Estar vigilante pela vinda de Jesus não significa apenas permanecer alerta, mas preparado, pelo jeito de ser e agir, aquilo que se deve guardar e ter em si para o momento do encontro.


Para quem segue Jesus, sabedoria é agir conforme o que Ele ensinou. Não adianta apenas clamar por Jesus, como as jovens imprevidentes no final da parábola. É preciso uma vida de fé que se realize também por obras, de maneira verdadeiramente encarnada e não apenas por palavras. Um cumprimento fiel das exigências de Deus reveladas por Jesus.


Viver a prática cristã não significa fugir do mundo, subtraindo-se das responsabilidades da vida e não enfrentando as dificuldades, deixando de carregar a cruz de cada dia. Mas buscar viver conforme Jesus ensinou, na convivência com os semelhantes, colocando em prática o que o Mestre ensinou. Isso é viver vigilante e na espera pelo encontro com Jesus.


No tempo de Jesus, por ocasião de um casamento, o noivo devia ir à casa da família da noiva, onde firmava com o sogro o acordo do matrimônio. Depois, levava a noiva para sua casa, onde começava a festa, um grande banquete. A imagem do casamento, da relação de amor entre marido e esposa era muito utilizada pelo povo de Israel como descrição do amor de Deus pelo Seu povo. E as festividades matrimoniais daquele tempo não eram muito diferentes das de hoje em dia. Eram comemorações com muita alegria, comida, danças, presença de parentes e amigos... Enfim, um tipo de festa que todos gostavam muito de tomar parte. Jesus usou essa imagem para descrever como será a vida eterna. E o encontro do noivo, que vai buscar a noiva, também ilustra como Ele mesmo quer vir em busca do ser humano para levá-lo para a salvação. Assim como a noiva naquele tempo devia estar preparada para a chegada de seu amado, também o ser humano deve estar na espera por Jesus.


Um alerta que aparece também na parábola é sobre a impossibilidade das jovens imprevidentes de conseguir óleo “emprestado” na última hora. Cada pessoa deve ser responsável por sua caminhada de vida e por sua salvação. E a porta fechada também mostra que a salvação não é uma garantia automática. A salvação deve ser conquistada. Quem não for previdente corre o risco de não se salvar.

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14:00 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

Publicidade