Comentário ao Evangelho do 2º Domingo da Páscoa (Jo 20,19-31) - 23/04/17

Quinta-feira, 20 de abril de 2017 às 12h 34

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mais fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Comentário do Padre Guilherme

 

Já podemos perceber nesta passagem que os seguidores de Jesus tiveram oportunidade de encontro com Ele no primeiro dia da semana, isto é, no domingo. Para o povo judeu o dia que deveria ser dedicado ao Senhor era o sábado, lembrando o descanso de Deus no sétimo dia da criação. Com Jesus, inicia-se um tempo novo na fé. E o primeiro dia da semana é sinal desse recomeço, de uma nova era religiosa.


Outra característica significativa da aparição de Jesus é que aconteceu estando reunidos os discípulos. Ou seja, a fé no Cristo ressuscitado deve acontecer comunitariamente. Não é possível acreditar ou se relacionar com Deus isoladamente. Ninguém O alcança estando sozinho.


Enquanto Jesus falou com seus discípulos, mostrou as chagas das mãos e do lado. É um sinal de que o Ressuscitado é o mesmo que passou pela paixão. Não existe glorificação sem o enfrentamento da cruz. Isso nos ensina que é preciso também tomar nossas cruzes, enfrentar nossas dificuldades, para alcançar a glória de Deus.


Diante do Ressuscitado, os discípulos sentiram uma intensa alegria. A alegria é o sinal característico do cristão. Quem está na companhia de Jesus tem grande razão para sentir felicidade, esperança e paz, mesmo em meio às tribulações.


E Jesus enviou os discípulos e soprou sobre eles. Este sopro lembra o sopro de Deus sobre o homem na primeira criação (Gn 2,7). E nos faz pensar que o que acontece na vida das pessoas com a presença de Jesus é uma nova criação, uma verdadeira ressurreição: renascimento para uma vida nova. Com a presença do Espírito Santo, que dá a força necessária para seguir em frente na fé e na confiança em Deus.


Também foi dado aos discípulos o mandado de perdoar pecados. A Igreja enxerga nesta passagem o fundamento para o sacramento da Confissão. Com Jesus ressuscitado, abriu-se nova possibilidade para que as pessoas possam se reconciliar com Deus.


Chama também nossa atenção o discípulo Tomé, que teve dificuldades em se entregar à fé. Jesus ensinou o valor da fé daqueles que decidem confiar em Deus, mesmo sem ter provas. Uma fé que é ao mesmo tempo decisão de confiar, ainda que não se tenha total certeza.


No último versículo desta passagem, João explicou o objetivo de ter escrito seu evangelho. E apresenta um itinerário, um caminho a ser percorrido: primeiro é necessário conhecer Jesus. Desse conhecimento, surge a fé. E a partir da fé, nasce a possibilidade de experimentar a vida em plenitude, que vem de Jesus.

 

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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