Comentário ao Evangelho do 7º Domingo do Tempo Comum (Mt 5,38-48) - 19/02/17

Sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 às 8h 00  - Atualizado às 8h 37

Padre Guilherme é administrador paroquial em Leandro Ferreira.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 38“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ 39Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! 40Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! 41Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! 42Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado. 43Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!”

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Comentário do Padre Guilherme

 

A mais antiga lei conhecida da história da humanidade era a chamada “lei de talião”. Esse nome vem do latim, “lex talinonis” (lex: lei e talio, de talis: tal, idêntico). Tratava-se de uma afirmação jurídica de que o rigor da punição por um crime deveria ser proporcional à gravidade da falta cometida.


Os primeiros registros escritos dessa norma estão no código de Hamurábi, um conjunto de leis do reino da Babilônia, que datavam de, aproximadamente, 1780 a.C. O objetivo dessa indicação era superar o anterior princípio chamado de “lei do mais forte”, impedindo que as pessoas fizessem justiça com as próprias mãos, de forma desproporcional.

 
Em escritos do Antigo Testamento, a lei de talião aparece citada em algumas passagens (Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21). Neste trecho do Evangelho segundo Mateus, Jesus deu mais passos para essa superação, ensinando que as relações humanas precisam ultrapassar considerações apenas de ordem jurídica. O que precisa ser levado mais em conta não são tanto as leis, mas o amor.


Quando Jesus disse que não se deve enfrentar alguém mau, não estava dizendo para as pessoas ficarem passivas diante de injustiças, mas que não devolvam na mesma moeda um mal recebido. É preciso uma caminhada de melhora, de não passar o mal adiante.


Jesus falou do amor ao próximo e afirmou que isso já tinha sido dito na religião. Realmente, isso pode ser encontrado no Antigo Testamento, em Lv 19,18. Entretanto, não há em lugar algum do Antigo Testamento qualquer indicação a se ter ódio dos inimigos. É bem possível que a interpretação mais comum que as pessoas faziam deste ensinamento era que, se era devido amar o próximo, o que restava para os inimigos fosse o sentimento oposto, ou seja, o ódio. Jesus corrigiu essa interpretação, dando o verdadeiro e original sentido que o mandamento prescrito pelos profetas antigos queria ensinar.


Se Deus não faz diferença entre as pessoas, seus seguidores também deveriam agir assim. Fazer o bem a quem é mau e tratar com bondade quem não merece exige um esforço maior do que o relacionamento com as pessoas queridas e boas. O convite de Jesus é da busca pela perfeição. Quem deseja ser seu seguidor precisa estar disposto a se esforçar mais, de fazer mais, de ir além. Se Deus fez muito, assumindo nossa natureza humana e vindo a este mundo, como nós, se temos intenção de O seguir, poderemos não nos esforçar por fazer também muito?

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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