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Forania do Divino Espírito Santo promove manhã de evangelização no Presídio Floramar, em Divinópolis

quarta-feira, 23 de março de 16 às 14:48

O preso precisa saber que existe alguém que se interessa pela sorte dele... Afirma Fráter Henrique Cristiano Matos.

 

Na manhã desta Quarta-feira Santa, 23, aconteceu uma manhã de evangelização em todos os pavilhões do Presídio Floramar, em Divinópolis. 



A iniciativa partiu do Vigário Forâneo da Forania do Divino Espírito Santo (Divinópolis e Carmo do Cajuru), Padre Carlos Henrique. No início da semana, Padre Carlos Henrique entrou em contato com o Matheus Dias, diretor do Departamento São João Paulo II, da Comunidade Missão Maria de Nazaré, departamento responsável pela evangelização da comunidade, e pediu para que a MMN entrasse em contato com a diretoria do presídio para que a Forania pudesse fazer uma manhã de evangelização com os detentos. Quando o Matheus entrou em contato com a Elisabete Pinheiro Fernandes, ela se mostrou pronta em receber toda a equipe da MMN e da Forania. 

 

A equipe formada pelos padres Carlos Henrique e Marcelo Caixeta, e pelos membros da Missão Maria de Nazaré, Matheus Dias, Túlio Veloso e Max Myller, foi muito bem recebida, não só pela diretoria do presídio, mas também pelos mais de 580 detentos que eles assistiram durante a manhã. Eles visitaram o Pavilhão 1 e 2, além da ala feminina do Presídio. O Pavilhão 3, como de costume, estava sendo visitado pelo Frei José da Cruz, que visita todas as quintas-feiras no local. A Missão Maria de Nazaré faz um trabalho mensal de evangelização no Presídio Floramar e no Centro Socioeducativo.

 

Sempre, ao final de cada momento, os detentos queriam ficar conversando com os sacerdotes e com os membros da comunidade, com a sede de ouvir uma palavra de conforto e incentivo para a mudança de vida.

 

 

A realidade da população Carcerária

 

A realidade carcerária é muito cruel como os pobres, segundo Fráter Henrique. Ela denuncia nossa incapacidade de resolver muitos problemas atuais como, por exemplo, a questão das drogas. Se a pessoa é rica ela pode lançar mão de inúmeros recursos da lei para se livrar das penalidades. Mas, o pobre é abandonado à sua própria sorte. E, às vezes, é abandonado pela própria família. Outra coisa terrível é a ociosidade forçada do preso. Ele fica sem ter nada que fazer e acaba frequentando a escola do crime, saindo da prisão muito pior do que entrou.

 

Em São Joaquim de Bicas a situação do preso não difere muito do resto do país. Existe uma superpopulação carcerária; ociosidade forçada e um estado de quase abandono dos presos.  Na cidade, que fica próximo a Belo Horizonte, existem três unidades prisionais: Bicas 01, com cerca de 2.300 presos; Bicas 02, com, aproximadamente 2.200 presos e a penitenciária, com cerca de 500 presos. Se juntarmos toda essa gente com aqueles que trabalham no sistema podemos atingir um número de, aproximadamente, 10 mil pessoas! O detalhe é que a Cidade não foi preparada para isso. Se um preso adoece ele deve ser atendido num posto de saúde local. E os postos de saúde não foram adaptados para esse grande contingente de pessoas, pois, atrás do preso aparecem também seus familiares que acabam se mudando para a cidade.

 

Diante da realidade prisional não podemos evitar a pergunta: - A quem interessa tudo isso? Fráter afirmou que sempre faz esse questionamento. Mas, que a resposta a ele não é fácil de ser dada. No viés desse questionamento poderíamos abordar a polêmica tese de privatização do sistema. Pode ser que pequenos grupos lucrem e ganhem dinheiro com tudo isso. O preso, no entanto, é o mais prejudicado. Ele é prejudicado até quando uma experiência está dando certo. É transferido, constantemente, de unidade a outra, dificultando a vida daqueles que estão estudando. Esse é um lado bom, segundo Fráter Henrique. Ele elogia o heroísmo das professoras e de todos que não medem sacrifícios para levar a educação aos presos. Mesmo não concordando com o sistema, Fráter Henrique agradece à direção da penitenciária e dos presídios por não dificultarem o trabalho pastoral que acontece no local. Termina a entrevista dizendo que esse trabalho fez dele uma pessoa melhor e mais sintonizada com o carisma de sua própria congregação, ou seja, a misericórdia.



Assista ao vídeo:

 

Por Túlio Veloso

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